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LOPES, Rita Lobato Velho.

Rita nasceu em 7/6/1866 em Rio Grande. Filha de Francisco Lobato Lopes. Estudou em Pelotas, com destaque para a escola dos profs. Carlos André Lequinite e Benjamin Amarante, sendo colega de Antonieta César Dias. Casou-se em 1889 com Antonio Maria de Freitas (seu primo) residente em Pelotas e proprietário da Chapelaria Cordeiro Vernier, com quem teve uma filha: Isis (1890). [netos: Antonio Maria (Rio Pardo,1930); Auta Tereza (Rio Pardo), 1926 e Maria Antonieta (Rio Pardo, 1929)]. Antonio Maria morreu em 1926.
 
Foi para o Rio de navio em 1884, acompanhar seu irmão que foi estudar medicina na corte. Matriculou-se na Faculdade de Medicina apresentando a documentação de saúde solicitada. Nesta época, outras mulheres já estavam matriculadas na Faculdade. No Rio conheceu D. Pedro II quando de sua visita a Faculdade [25/10/1884]. Em função de problemas que seu irmão teve na faculdade, em 1885 transferiu-se para a Bahia onde continuou seus estudos.
Chegou a Salvador acompanhada do pai em 14/5/1885 a bordo do Vapor Ceará [Diário da BA, 16/5/85]. Foram morar na rua Jogo do Carneiro no Distrito de Nazaré (Marquês de Barbacena). Na época a Faculdade funcionava no Terreiro dos Jesuítas. Rita se matriculou na segunda série médica. Na sala de aula sentava-se em uma cadeira especial defronte ao professor, tomava poucas notas, muitas vezes nenhuma. Passava bastante tempo na Biblioteca em companhia de conterrâneos ou dos irmãos. Trajava quase sempre roupas escuras.  Era estimada pelos professores, com alguns destes, mantinha relações pessoais, freqüentava suas casas, suas festas, como o caso de José Pedro de Souza, Manoel Joaquim Saraiva, Antonio Pacífico Pereira e Manoel Vitorino Pereira.
Depois de 48 dias de ingresso na Faculdade da Bahia, Rita Lobato solicitou os exames das cadeiras da segunda série médica. Terminada a 6ªsérie, Rita escolheu o tema de sua tese: "Paralelo entre os métodos preconizados nas operações cesarianas". Sua banca foi composta por distintos professores da época e a defesa marcada para o dia 24/11/1887.A colação de grau ocorreu na Faculdade de Medicina. Na ocasião formaram-se 60 doutores. Diplomou-se em 10/12/1887 [registro livro 4º do Registro de Diplomas de Médicos e Farmacêuticos – anos 86-94 fls. 123 – 31 de julho de 1888]. Na mesma noite, em sua residência no “solar do Sodré’, houve um elegante baile oferecido aos convidados. Em 20/12/1887 a bordo do vapor alemão “Kronprinz Fried Willhem” deixa, acompanhada dos seus, a cidade de Salvador, rumo ao Rio Grande.(com escala no Rio de Janeiro)

Depois de alguns dias no Rio, Rita acompanhada de seu pai e três escravos retornam para o RS, instalando-se em POA, a médica deu início a vida profissional, estabeleceu uma clínica especializada em doenças de Senhoras e Partos. Atendeu em POA durante 1 ano e meio. Em 1889 casou-se na Estância Santa Vitória, arredores de Rio Pardo, com seu primo Antonio Maria, mudando-se em seguida para Jaguarão, onde deu prosseguimento a clínica. Atividade interrompida em 1890.

Em 1891 adquiriu uma estância (do Capivari) para onde se mudou com o marido e a filha recém nascida. Em 1910 retoma a vida de médica, visitando em Buenos Aires alguns Hospitais e fazendo alguns cursos. Ainda em 1910, depois das viagens, retorna a Capivari (arredores de Rio Pardo) onde dedica-se a clínica, seguindo o conselho da mãe: “se fores médica, pratica a caridade!” De 1910 até 1925 praticou incessantemente a Medicina, fornecendo, por vezes, medicamentos e consultas gratuitas. Em 1925, aos 59 anos de idade, encerra sua vida profissional.

Depois da morte do marido, Rita dedicou-se a política, sendo eleita vereadora por Rio Pardo. Exerceu mandato até 1937 (Estado Novo). Pertencia ao Partido Libertador. Presidiu um Comitê Feminino Pró-Candidatura Darcy Porto Bandeira a prefeitura de Rio Pardo. Considerava-se Federalista e Monarquista, como declarou a Imprensa. (Revista do Globo, 15/4/50)

Faleceu em 1956.


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