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23/11/2010 | Versão para Impressão

"A Medicina Encontra a Msica: A Presena Negra"

Nesta quinta-feira, dia 18 de novembro, durante a Semana da Consciência Negra, o Museu de História da Medicina ofereceu dentro do Quintas no Museu o Especial "A Medicina Encontra a Música: A Presença Negra". Este foi o segundo evento da série, que em outubro abordou a presença alemã e na edição seguinte abordará a italiana.



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Veridiano FariasVeridiano Farias

Renato Panatieri e Éder Farias, descendentes dos primeiros negros a formarem-se em medicina no RS, respectivamente o Dr. Luciano Raul Panatieri e do Dr. Veridiano Farias, integram um dos paineis com relatos sobre as histórias de vida destes pioneiros. O mestre em História Arilson dos Santos Gomes apresenta o painel "Formando oásis: intelectuais negros de destaque na sociedade porto-alegrense entre os séculos XIX-XX". A música fica a cargo do Regional Laranjal, que irá interpretar chorinhos no evento. Apoio do Coletivo de Negros Empregados dos Correios (CONCOR) e da Associação Saúde Criança Reflorescer.

De acordo com a responsável pelo setor Educativo do MUHM, a historiadora Sherol dos Santos, o objetivo do evento é trazer, na Semana da Consciência Negra, diferentes abordagens e experiências a respeito do Negro no Rio Grande do Sul. "Vamos falar desde a intelectualidade de Porto Alegre até questões como a origem do termo 'regional' para definir os grupos de choro", exemplifica a historiadora.

Segundo o músico Luiz Bachilli Neto, "regional" é o nome dado, historicamente, a um grupo musical composto, a princípio, por Cavaquinho, Flauta transversa, Pandeiro e Violão. "Em seguida, dada a sonoridade apaixonante, agregaram-se o Bandolim e o Clarinete. Concomitantemente, apareceu Chiquinha Gonzaga, incluindo o Piano, não característico de um regional, apenas daquela época. Esses grupos interpretavam samba, lundu, polka e valsa canção, num estilo muito próprio, com uma divisão musical ousada. A esse estilo, deu-se o nome de Choro, mais tarde, carinhosamente, Chorinho. Nada mais Brasileiro", explica o músico. Para o tocador de cavaquinho do Regional Laranjal, entre os principais chorões hoje já se foram, estão: Antônio Calado, Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Abel Ferreira, Ernesto Nazaré, Jacob do Bandolim, e Waldir Azevedo. As maiores expressões vivas são Altamiro Carrilho, Hamilton de Hollanda e Armandinho Macedo. "Nosso Regional é, na verdade, uma confraria, de caras que gostam de música, desde sempre, e que tiveram a felicidade de se encontrar na mesma cidade, nessas idas e vindas da vida", completa.

Entre as músicas executadas estiveram  Brasileirinho (Waldir Azevedo), Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues), A Banda (Chico Buarque) e várias outras.

Reflorescer
A entrada é gratuita, mas o museu convida aos que puderem participar da campanha de arrecadação de alimentos da Associação Saúde Criança Reflorescer, levem suas contribuições no dia do evento. Os alimentos que têm maior demanda são feijão, açúcar, óleo, massa, farinha de trigo e de milho eleite integral. A associação repassa em forma de cesta básica às famílias atendidas, que são encaminhadas pelo Hospital da Criança Conceição.


Serviço do Quintas no Museu Especial
"A Medicina Encontra a Música: A Presença Negra"
Data: 18 de novembro de 2010
Horário: 18h30min
Local:
Sala Rita Lobato - MUHM
Av. Independência, 270, Centro Histórico de Porto Alegre
Fone (51) 3029-2900



Recital: Regional Laranjal – Coletivo de Negros Empregados dos Correios (CONCOR)

Paineis:
Ms. Arílson dos Santos Gomes – Formando oásis: intelectuais negros de destaque na sociedade porto-alegrense entre os séculos XIX-XX.
Sr. Éder Luis Farias – Relato de vida do Dr. Veridiano Farias
Sr. Renato Panatieri – Relato de vida do Dr. Luciano Raul Panatieri

Após, coquetel e confraternização.



Pioneiros

Panatieri em pé, à direita, com seus colegas em 1949.Luciano Raul Panatieri (Porto Alegre, 1897 – 1972). Formado pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre em 1922, é, conforme os registros, o primeiro médico negro formado no Rio Grande do Sul. 

Trabalhou em Rio Pardo e na capital gaúcha. O interesse pela literatura o levou ao Grêmio Rio-pardense de Letras.



Veridiano FariasVeridiano Farias (Rio Grande, 1906 – 1952). Concluiu os estudos secundários aos 36 anos, prestando vestibular para medicina em seguida. Em 1943 foi aprovado, matriculando-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, conseguindo transferência para Porto Alegre logo em seguida. Durante os anos de estudo trabalhou como chofer e motoneiro de bonde. Formou-se em 1951 e iniciou a vida profissional no Hospital Colônia Itapuã. Faleceu pouco tempo depois.


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